terça-feira, 1 de abril de 2014

CONGRESSO RIO ARTES 2014 ABRE INSCRIÇÕES


"Entre os dias 30 de abril e 4 de maio acontecerá no Rio de Janeiro o “Rio Arte 2014″, voltado para quem trabalha com artes na igreja. 

Durante esses dias acontecerão palestras voltadas para o treinamento e capacitação em Artes Visuais, Canto Popular, Cinema, Circo, Dança, Libras, Quadrinhos e Teatro. O congresso acontece anualmente sendo organizado pelo Ministério Cia de Artes Hupernikao que há quatro anos tem usado diversas artes para levar o amor de Deus. 

Temos a certeza de que nesses dias a sua vida, e o seu ministério serão transformados através da presença, e do poder de Deus, em cada aula e em cada culto”, dizem os realizadores. Percebendo o crescimento do uso das artes nas igrejas, o grupo Hupernikao tem se preocupado com a qualidade para que sejam apresentados trabalhos com excelência que glorifiquem e exaltem a Deus, foi por esse motivo que eles criaram o congresso. 

O Rio Arte é mais uma oportunidade de juntarmos as nossas forças, superarmos limites, e fazermos a diferença, apresentando o Reino de Deus e revelando a Sua glória1″, afirma a Cia de Artes.

Para participar do evento se inscreva pelo site www.huper.com.br onde você encontra também todas as informações sobre o evento." 

FONTES:

 http://noticias.gospelprime.com.br/congresso-rio-arte-2014/ 

http://gospelhoje.com.br/congresso-rio-arte-2014-abre-inscricoes/#.Uztpx_ldWAU

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O ESQUETE

Introdução
Uma das manifestações teatrais mais usadas pelos ministérios de artes das igrejas é o esquete. Inicialmente devemos salientar o seguinte: diz-se o esquete e não a esquete, como tantas vezes se fala e que não deve ser confundido com enquete (pesquisa de opinião). A palavra esquete vem do inglês sketch que inicialmente designava um esquema preliminar representando os principais traços de um objeto ou de uma cena. A palavra inglesa, por sua vez, veio do holandês schets que veio do italiano schizzo que literalmente significa 'salpico, mancha , esboço'. A palavra é derivada de schizzare 'salpicar, esguichar, jorrar líquido', de origem onomatopéica. O termo também é aplicado a rascunhos de pinturas e desenhos de um modo geral.
Cena do festival de esquetes de Timbó , Santa Catarina.
No teatro, o termo esquete é muito usado para se referir a pequenas peças ou cenas dramáticas, geralmente cômicas,  com cerca de dez minutos de duração. Alguns autores já os consideram como peças propriamente ditas quando dura mais de dez minutos. Muitas vezes os esquetes são marcados pela improvisação e pela dinâmica rápida; dependendo do propósito, outros têm um roteiro rígido a ser seguido, embora de curta duração. Inicial e majoritariamente o esquete está ligado ao gênero cômico e é popularizado em programas humorísticos televisivos. Porém, nada impede do esquete ser utilizado com outros gêneros ou para além do entretenimento: o esquete pode ser utilizado para comunicar idéias sociais, políticas e espirituais.)
Esquete "O Bêbado no Velório"
Esquete Bêbado no Velório um dos que compõe o espetáculo Noite do Riso
 apresentado no Projeto Vida Nova do Caju,  Rio de Janeiro (2009)

Origens
O esquete tem suas origens nos espetáculos do gênero vaudeville e music hall onde um grande número de atos teatrais breves, mas humorísticos, eram apresentados e reunidos para formar um programa maior. O vaudeville foi um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos de 1880 ao início dos anos 1930. Desenvolvendo-se a partir de muitas fontes, incluindo salas de concerto, apresentações de cantores populares, circos de "horror" (com exibição de pessoas com deformidades genéticas), museus baratos e literatura burlesca, o vaudeville tornou-se um dos mais populares tipos de empreendimento dos Estados Unidos. A cada noite, uma série de números era levado ao palco, sem nenhum relacionamento direto entre eles. Entre outros, músicos (tanto clássicos quanto populares), dançarinas e dançarinos, comediantes, animais treinados, mágicos, imitadores de ambos os sexos, acrobatas, peças em um único ato ou cenas de peças, atletas, palestras proferidas por celebridades, cantores de rua e até pequenos filmes.
O boneco Garland e artistas de um espetáculo vandeville (1932), EUA.
O Music hall é uma forma de entretenimento teatral de origem britânica, muito popular entre 1850 e 1960, e definido como uma mescla de música popular, comédia e participações especiais. O termo também está associado aos teatros onde ocorriam as apresentações bem como às peças musicais nestes espetáculos. O music hall britânico é similar ao teatro de revista do Brasil e de Portugal, ou ao vaudeville dos Estados Unidos.
Atores do MAVIN (Ministério de Artes Vida Nova) caracterizados para o esquete Everything (2010)
baseado na música homônima do grupo Lifehouse
O esquete quer tenha o gênero cômico ou de drama espiritual é uma poderosa ferramenta sob a unção do Espírito Santo no uso da comunicação do Evangelho através da arte.

REFERÊNCIAS

Vaudeville artigo da Wikipédia, a enciclopédia livre (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaudeville)

Music Hall artigo da Wikipédia, a enciclopédia livre (http://pt.wikipedia.org/wiki/Music_hall)

Sketch Comedy http://en.wikipedia.org/wiki/Sketch_comedy

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O USO MINISTERIAL DO TEATRO NA IGREJA

Por Jolsemar dos Reis Araújo

****Texto postado originalmente nos extintos blogs da Escola Ministerial de Artes e do MAVIN do Projeto Vida Nova de Irajá(há um atual http://mavinpvni.wordpress.com/) com ligeiras adaptações****


A palavra 'teatro' vem do grego (theatron) e designa o lugar onde se assiste a um espetáculo, seus espectadores ou o próprio espetáculo. A palavra é etimologicamente formada por théa 'espetáculo, vista, visão' mais o sufixo -tron 'instrumento', significando literalmente 'meio pelo qual se realiza um espetáculo'. Mais que o local, 'teatro' designa a arte do ator e da atriz, a dramatização, a representação e os meios e recursos humanos para a concretização do espetáculo.


Os historiadores da arte assinalam que desde seus primórdios o ser humano usou da dramatização para expressar suas crenças e valores. Entendendo que força e determinação não eram suficientes para assegurar sua sobrevivência, os povos primitivos usavam danças imitativas visando angariar o favor e proteção de Deus ou dos supostos deuses que controlavam todos os fatos necessários à sua sobrevivência (fertilidade, família, êxito nas batalhas, etc). Sendo assim, o teatro em suas origens possuía um caráter religioso, espiritual. Esse teatro primitivo constituía-se de danças dramáticas coletivas que tratavam das várias questões da vida. Ao lado, pintura rupestre em Lérida, Espanha, representando uma dança ritual primitiva. Com o tempo os humanos começam a desenvolver suas crenças e filosofias bem como sua tecnologia e arte. Sem a revelação do Deus bíblico ou dela prescindindo, os homens elaboram mitos, sagas cósmicas politeístas, que visavam explicar a origem, a manutenção e o sentido da vida e passam a dramatizar esses mitos inicialmente através das danças miméticas, isto é, compostas por mímica e música.

Em civilizações mais desenvolvidas, como a egípcia e as mesopotâmicas, os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados. Esses rituais eram a história do mito em ação, isto é, em movimento. Eles propagavam as tradições e serviam como entretenimento. Na Grécia, a partir da evolução da dramatização dos mitos, surge o embrião d teatro moderno. Inicialmente havia o ditirambo, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o deus Dionísio (deus do vinho). Ao lado, representação de Dionísio. O ditirambo evoluiu dando origem a um coro onde os componentes cantavam, dançavam e contavam os mitos relativos a Dionísio. A grande inovação deu-se quando se criou o diálogo entre os componentes do coro. Instala-se desta forma a ação na narrativa dos mitos dando origem aos primeiros textos teatrais. Inicialmente faziam-se as representações nas ruas, passando-se para um lugar próprio. E assim surgiram os primeiros teatros. Abaixo, ruínas do teatro de Epidauro, cidade grega.

Se o teatro tem suas origens na dramatização de mitos pagãos o que ele então tem a ver coma atual prática das igrejas utilizarem o teatro como veículo de edificação e evangelização?

Nas Sagradas Escrituras vamos encontrar a palavra 'teatro' em duas ocasiões (Atos 19.29,31) significando o local de reunião de uma assembleia, porém na Bíblia não vamos encontrar o teatro no sentido de arte cênica apresentada em local próprio como espetáculo.

No Antigo Testamento, as palavras traduzidas por 'espetáculo' (mar’eh, ro’iy) significam visão, aparência, espetáculo. Há ainda a palavra zeva'ah geralmente traduzida por espetáculo horrendo. Estas palavras estão associadas ao juízo divino: quando Deus trouxer seu juízo será um espetáculo, isto é, algo notório, que servirá de símbolo, exemplo e reflexão (Deuteronômio 28.67; Jeremias 15.4; 29.18; 34.17; Naum 3.6). 

No Novo Testamento encontramos a palavra theatron (1Coríntios 4.9) e outras dela derivadas ou correlatas significando 'espetáculo' no sentido de que algo ou alguém está sendo observado por várias pessoas e nelas causa algum efeito (Lucas 23.48; Hebreus 10.33; 12.21). Nos dias de Jesus havia um teatro em Jerusalém ( representação ao lado) construído por ordem do Rei Herodes, o Grande (73 – 4 a.C.), porém para agradar aos romanos. Embora os antigos judeus convivessem com culturas que patrocinavam as artes teatrais como a grega e a romana e em Jerusalém houvesse um teatro, eles não aderiram ou incorporaram à sua liturgia e cultura esse tipo expressão artística principalmente por que muitas das peças teatrais da antiguidade eram repletas de paganismo e sensualidade. Pelo mesmo motivo os primeiros cristãos rejeitaram o teatro até que na Idade Média passaram a utilizá-lo como forma de catequese. No transcurso dos séculos vários grupos cristãos foram utilizarando as artes cênicas como veículo de propagação da fé. Devemos também observar que o fato de algo ser um elemento cultural não-judaico não impede deste ser usado a serviço de Deus. Não é sem razão que Paulo usa a poesia pagã grega para evangelizar (Atos 17.28) e exortar (Tito 1.12,13).

Não obstante a origem pagã, a essência do teatro, isto é, a dramatização, é encontrada na Bíblia através da liturgia sacerdotal e nos atos simbólicos dos profetas, inclusive os de Jesus. Não bastou a Deus dizer a Abraão que ele seria pai de uma multidão de pessoas. Deus o fez sair da tenda e ver as estrelas e disse: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade”(Gênesis 15.5). Deus usou sua arte, as estrelas, para mostrar a Abraão o que Ele pretendia realizar. Não foram suficientes as palavras. Deus quis que Abraão visse. Essa é a essência do teatro na sua origem etimológica: 'ver,' 'algo para ser visto'. O teatro como espetáculo pode ter suas raízes nos cultos pagãos; mas o uso de recursos visuais, de imagens inspiradoras, a dramatização da verdade espiritual, tem sua origem em Deus.
Imagem do telescópio espacial Hubble da NASA:
Deus usou a visão do céu estrelado para inspirar a fé de Abraão

A Liturgia Sacerdotal como Dramatização de Verdades Espirituais
O livro de Levítico registra vários tipos de rituais que os sacerdotes e os ofertantes praticavam na Antiga Aliança. Diz o Novo Testamento que esses rituais eram sombras, símbolos do mundo espiritual e de coisas que estavam para vir (Colossenses 2.17; Hebreus 8.5). Isto é: eles dramatizavam realidades espirituais. Não bastavam aos homens e mulheres da Antiga Aliança pedir verbalmente perdão a Deus por seus pecados ainda que com sinceridade. Esse pedido de perdão e aceitação era dramatizado através dos sacrifícios e da mediação sacerdotal que eram símbolos de realidades espirituais bem como de acontecimentos vindouros. As realidades espirituais do perdão, expiação, redenção, da mediação eram vivenciadas e dramatizadas pelos ritos levíticos. Abaixo, liturgia sacrificial no templo de Jerusalém (séc. I). Por exemplo, segundo estudiosos, a oferta pacífica movida perante o Senhor (Levítico 7.29-34) tinha o seguinte ritual: a porção do sacrifício destinada ao sacerdote era primeiramente colocada nas mãos do ofertante. Então o sacerdote colocava suas mãos embaixo das mãos do ofertante e as movia com a oferta para frente e para trás e para cima e para baixo. O que foi feito? Um sinal de cruz. À luz do Novo Testamento, esse rito representava ou dramatizava o vindouro sacrifício de Cristo.
A liturgia do Antigo Testamento é teatro, é dramatização de realidades espirituais.


Os Atos Proféticos
Nos Profetas vamos encontrar verdadeiras interpretações teatrais da palavra divina. Era comum entre os profetas transmitir uma mensagem mediante dramatização, que seria um recurso didático para prender a atenção dos ouvintes. Os eventos simbolizados eram uma declaração de Deus, através de seus mensageiros, daquilo que ele estava prestes a fazer ou de alguma realidade espiritual. Oséias teve que representar radicalmente o estado de infidelidade de Israel para com Deus casando-se com uma mulher adúltera (Oséias 1-3).

Exemplos de dramatizações ou ações simbólicas das mensagens divinas pelos: o discípulo dos profetas (1Reis 20.35-43), Aías de Silo (1Reis 11,29s), Isaías (Isaías 20.2-4), Ágabo (Atos 21.10-11). As ações de Jeremias e Ezequiel têm sido claramente identificadas como pantomima e teatro de rua por artistas (Rory Noland) e teólogos (Silvia Schroer e Thomas Staubli). Vejam-se o grande número de ações simbólicas e recursos visuais que eles representaram para transmitir sua mensagem profética:

Jeremias :
1. Cinto de linho escondido no Eufrates (13.1-11);
2. O oleiro e o barro (18.1-8);
3. A botija quebrada (19.1-13) ;
4. Um jugo no pescoço (27.1-8);
5. Compra do campo do parente (32.6-15);
6. A obediência dos recabitas (35.1-19);
7. As pedras escondidas (43.8-13);
8. Livro jogado no Eufrates (51.63,64).


James Tissot: The Prophet Jeremiah
O profeta Jeremias por James Tissot (1888)

Ezequiel:
1. Ele representou o cerco de Jerusalém com um tijolo (4.1-3);
2. A fome no cativeiro cozendo pão com excrementos (4.9-17);
3. A destruição pela espada cortando seus cabelos com navalha e os atirando ao vento (5.1-7);
4. A ida do povo ao cativeiro fazendo um buraco na parede para partir com suas mobílias como um deportado.(12.1-11);
5. Com uma espada afiada e polida retratou o juízo iminente sobre Jerusalém (21.1-17);
6. A vitória da Babilônia é retratada pela espada de Nabucodonosor (21.18-23);
7. A queda de Jerusalém é simbolizada pela morte da esposa (24.15-27);
8. A união de Judá e Israel pela escrita do nome de Judá e de Israel em dois bastões (37.15-28).


painting: The Vision of Ezekiel, Raphael, 1518
A Visão de Ezequiel por Rafael (1518)

Não se pode deixar de mencionar o próprio Jesus. As parábolas evocam cenas do dia a dia e a visualização delas na mente à medida que são lidas ou ouvidas. Embora não encenadas, são visualizadas na imaginação. Para ilustrar a esterilidade de uma falsa aparência ele amaldiçoa a figueira sem frutos que seca imediatamente tornando-se um símbolo vívido (Mateus 21.19-21). 

Há que se falar também do lava-pés: para mostrar como devemos servir uns aos outros Jesus se caracteriza como um escravo e faz um serviço que só escravos faziam (João 13.1-17). Não bastou a Jesus falar; ele teve que teatralizar seu ensino.

Muitos gestos simbólicos são registrados na Bíblia: mãos erguidas (Êxodo 17.8-16), virar o rosto em direção ao objeto da profecia (Ezequiel 6.1-3), marchar em círculos (Josué 6.1-20), dentre outros, concluindo-se assim a Bíblia registra que a mensagem divina e as realidades espirituais foram dramatizadas de várias formas até hoje usadas. 

Em suma, existe uma base bíblica para o uso do teatro na proclamação da Palavra de Deus.


Ministério de Teatro na Igreja
O Novo Testamento tem cinco listas de dons e ministérios (1Coríntios 12.8-10,28-30; Romanos 12.6-8; Efésios 4.11; 1Pedro 4.10,11). Muitos dons e ministérios são repetidos, outros citados uma só vez, outros não têm títulos sendo antes ações: exortar, contribuir, exercer misericórdia ou simplesmente servir como afirma o texto de 1Pedro 4.11. Disso se conclui que o Novo Testamento não tem uma lista definitiva e limitada do número de ministérios que deve haver na igreja de acordo com sua necessidade. O diaconato não surgiu de uma revelação divina; houve a necessidade de se levantar pessoas para essa função (Atos 6.1-7). Tanto é assim que todas as denominações têm ministérios ou departamentos que não são citados no Novo Testamento: Ministério de Música, Tesouraria, Ministério Infantil, Sociedades Femininas, Masculinas, Círculo de Oração, Mocidade, etc. Quantas são as necessidades da igreja tantos são seus departamentos ou ministérios. E todos terão base bíblica já que a essência de um ministério é um serviço prestado a Deus e ao próximo. 

A dramatização, como qualquer arte, é um dom divino. "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1.17). Portanto podemos utilizar esse dom a serviço do Evangelho: "Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus" (1 Pedro 4.10). Em síntese, o fato do Novo Testamento não falar de um ministério de artes não impede que haja tal ministério, tal serviço, na igreja. O fato de não haver menção no Novo Testamento ao teatro na liturgia cristã não impede deste ser utilizado, já que o mesmo não fala também de instrumentos musicais na adoração cristã de então e eles são utilizados na adoração cristã de hoje. No Novo Testamento há espaço para qualquer expressão litúrgica desde que haja decência e ordem (1Coríntios 14.40).

Tendo em vista o acima dissertado, o teatro tem sim o seu espaço na igreja cristã de hoje como expressão de adoração, edificação e estratégia evangelística. Tal uso pressupõe não apenas a vontade de interpretar, mas também aptidão técnica, trabalho em equipe, aprovação e supervisão pastoral, ou seja, a utilização contínua do teatro na igreja deve ser organizada como um ministério da igreja. 
Apresentação da peça Quatro Suicidas diante da Morte pelo Ministério de Artes Vida Nova
no Projeto Vida Nova de Irajá (2011)
Quando dizemos "deve" não é no sentido de ser "obrigatório", mas no sentido de que uma comunidade de fé que pretenda fazer um uso contínuo desse dom a serviço do Reino necessita organizá-lo com líderes, supervisão, adequação de agendas, capacitação técnica e espiritual.  Cada comunidade de fé conhece suas necessidades.

Cristo, na Grande Comissão, nos mandou pregar o Evangelho e fizer discípulos (Marcos 16.9-11; Mateus 28.18-20). O uso ministerial do teatro é uma ferramenta, não obrigatória, não a mais importante, mas de grande valia para cumprir a missão que o Mestre nos deixou. 

Pude vivenciar isso em 13 anos (1999-2012) que participei como ator, autor e diretor do grupo teatral do MAVIN (Ministério de Artes Vida Nova) do Projeto Vida Nova de Irajá.

Sou grato a Deus por esses preciosos anos onde vi e vivi a arte a serviço do Reino.


REFERÊNCIAS
HARRISON, R. K. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, Mundo Cristão, 1983.
HOUAISS, Antonio. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 1.0 (CD-ROM), Objetiva, 2001.
LOURO, Fabiana. A Origem e Evolução do Teatro. Disponível em: http://liriah.teatro.vilabol.uol.com.br/historia/aorigemeevolucaodoteatro.htm
NOLAND, Rory. O Coração do Artista: construindo o caráter do artista cristão. São Paulo : W4 Editora, 2007.
PETERVELITZ, Luciano R. Introdução ao Profetismo. In: Revista Theos. 5 ed. Vol. 4. Nº 1. Campinas: Faculdade Teológica Batista de Campina, 2008. Disponível em: www.revistatheos.com.br/Artigos/Artigo_05_02.pdf
SCHROER, Silvia; STAUBLI, Thomas. Simbolismo do Corpo na Bíblia. São Paulo: Paulinas, 2003.

domingo, 15 de julho de 2012

ARTISTA: CONSCIÊNCIA DE LIDERANÇA NA ADORAÇÃO

A Bíblia com frequência mostra artistas liderando a adoração do povo de Deus. Um exemplo marcante é o episódio narrado no capítulo 20 do Segundo Livro das Crônicas, quando o rei de Judá, Josafá, enfrenta seus inimigos pondo a frente do exército um grupo de músicos: "Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o SENHOR, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus, dizendo: Rendei graças ao SENHOR, porque a sua misericórdia dura para sempre. Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados", 2Crônicas 20.21,22. Abaixo, representação do triunfo de Josafá sobre os amonitas e moabitas atribuída a Frans Boels (falecido em 1594).
Outro exemplo está registrado no Salomo.68.25: "Os cantores iam adiante, atrás, os tocadores de instrumentos de cordas, em meio às donzelas com adufes". Vemos cantores, instrumentistas e dançarinas (no contexto cultural do texto, as donzelas com adufes dançavam) liderando a adoração do povo de Deus. É comum pensar que apenas aquele irmão que chamamos de "dirigente de louvor" conduza o povo de Deus em sua adoração. Porém, todo artista que contribui para a adoração do povo de Deus é um condutor de adoração.Como diz o ministro de música e escritor Rory Noland: "Se você canta, toca, escreve, pinta, atua, dança, faz mixagem de som, projeta a letra das músicas ou é responsável pela iluminação, faz um solo ou canta no coral, dirige o louvo à frente do auditório ou trabalha "nos bastidores", saiba que a congregação segue sua liderança. Portanto, você é um líder de adoração - ou, para usar a expressão que muitos estão empregando hoje, você é um 'adorador líder' "[1] Sendo assim, nós que trabalhamos com arte na igreja, seja ela musical ou cênica, ou ainda na chamada "produção" dos bastidores (som, iluminação, maquiagem, etc.), damos um considerável contribuição à qualidade da adoração coletiva e individual do povo de Deus. Isso requer de nós consciência da importância do que fazemos, para que façamos o melhor espiritual e tecnicamente. 
 Notas 
[1] NOLAND, Rory. O Artista Adorador: Uma exposição da mente e do coração do artista. São Paulo: Editora vida, 2008, p.14.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O ARTISTA NA BÍBLIA: BREVES LIÇÕES

A palavra ‘artista’ na Bíblia aparece apenas no Antigo Testamento e está ligada à tradução da forma verbal da palavra chashab que quer dizer ‘planejar, inventar, considerar’ e tem o sentido de alguém que planeja, executa, faz alguma obra em específico. Ela aparece principalmente no livro do Êxodo quando da revelação, planejamento e construção do Tabernáculo (Êx 26.1, 31; 36.8,35). No livro de Cantares (7:1) aparece a palavra ’aman que significa ‘trabalhador capacitado, artista, pessoa capacitada, artesão’. A Bíblia mostra que a arte acompanha o Homem desde o princípio de sua história (Gn 4.19-22). Destacamos aqui a Jubal que foi “foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (v.21). Vemos assim uma expressão artística (a Música) no início da Escritura Sagrada. E a música primitiva não era apenas para ser ouvida, mas também cantada e dançada como demonstram vários achados arqueológicos. Assim, na arte de Jubal, além da música, está implícita a dança. Infelizmente, a arte também foi usada para a idolatria (Atos 17:29). A Arte deve ser vivida no contexto da Cidade Celeste não da Babilônia decaída (Ap 18:22). 
O primeiro tipo de pessoa a que a Bíblia se refere como sendo cheio do Espírito Santo, não é um profeta, nem um rei nem um sacerdote, mas é um artista:

Bezalel por James Tissot
Disse mais o SENHOR a Moisés: Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores. Eis que lhe dei por companheiro Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã; e dei habilidade a todos os homens hábeis, para que me façam tudo o que tenho ordenado: a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e o propiciatório que está por cima dela, e todos os pertences da tenda; e a mesa com os seus utensílios, e o candelabro de ouro puro com todos os seus utensílios, e o altar do incenso; e o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a bacia com seu suporte; e as vestes finamente tecidas, e as vestes sagradas do sacerdote Arão, e as vestes de seus filhos, para oficiarem como sacerdotes; e o óleo da unção e o incenso aromático para o santuário; eles farão tudo segundo tenho ordenado” (Ex 31.1-11)

Do texto bíblico aprendemos os seguintes princípios:
 - Deus usa a arte para cumprir seus propósitos;
- O artista é alguém chamado por Deus;
- Ele deve ter companheiros;
- Ele trabalha segundo a revelação de Deus e o modelo mostrado a liderança (Êx 25:8,9).
O tabernáculo de Moisés é um testemunho de que arte e adoração podem se combinar
 Além da unção deve o artista ter preparo técnico: “Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo”, Salmos 33:3. O salmista não apenas se ajoelhava e orava dizendo: “Daí-me um salmo, ó Senhor!”. Ele era alguém que contemplava a natureza (Sl 8), conhecia as Escrituras (Sl 119), via as dificuldades e contradições da vida e meditavas nela à luz de Deus (Sl 73). “De boas palavras transborda o meu coração. Ao Rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor”, Salmos 45:1. Habilidoso é no original hebraico mahir ‘veloz, rápido, habilidoso, pronto’. "Procurou o Pregador achar palavras agradáveis e escrever com retidão palavras de verdade. As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos bem fixados as sentenças coligidas, dadas pelo único Pastor”, Eclesiastes 12:10,11. O Pregador não buscou apenas orar; ele buscou quais seriam as melhores palavras para expressar a inspiração divina que lhe corria no coração. Pesquisou as palavras de outros sábios, de outros especialistas de sua área, para produzir sua arte. 
Portanto, a unção, companheirismo e o preparo técnico devem andar juntos. Esse é o artista bíblico.